Foto: ESA / NASA – L. Parmitano (https://fotospublicas.com/incendios-na-amazonia-vistos-da-estacao-espacial-dia-24-de-agosto-de-2019/)
O Presidente Jair Bolsonaro tem proferido afirmações agressivas contra instituições, pessoas e países, sobre desmatamento e queimada, com geração de armadilhas diplomáticas.
O Brasil passa por apuros e com diplomacia pode até vir a lucrar com a situação.
Tivemos a demissão de Ricardo Galvão, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas, INPE, no início de agosto de 2019, por ter divulgado dados sobre o aumento do desmatamento na amazônia.
A Alemanha e Noruega suspenderam repasse de recursos para o Fundo Amazônia, após o governo rever unilateralmente a composição do seu conselho. O Presidente afirmou para a Alemanha aplicar os recursos no reflorestamento do seu país e acusou a Noruega de sacrificar baleias.
Também, o presidente no dia 21.08.2019 afirmou, sem provas, estarem as Organizações Não Governamentais, ONGs, a fazerem queimadas na floresta amazônica. As ONGs negaram as afirmações.
Já no dia 27.08.2019, o Presidente recusou a ajuda de 20 milhões de dólares, oferecida pelos países do G7, para o combate aos incêndios na Amazônia.
Por esses fatos, o Brasil se vê envolvido em disputas diplomáticas e pode sofrer bloqueios econômicos.
Na Europa já existe discurso, na imprensa e de políticos, para serem feitos boicotes aos produtos brasileiros. Pelo mundo, o consumidor, não quer comprar produtos de áreas desmatadas e cobra a rastreabilidade de sua procedência.
A economia brasileira depende do agronegócio e exportar é questão de sobrevivência. A nossa agricultura está alicerçada em tecnologia e produtividade, não depende de desmatamento, pois já tem terras suficientes. Por outro lado, a pecuária brasileira ainda depende do uso extensivo de solo e exerce um papel importante no desmatamento. O desmatamento inicia com a derrubada da madeira de lei, para uso em madeireiras. As outras madeiras são utilizadas para produzir carvão. Por último, para justificar a posse da terra e lhe dar fim econômico, vem o gado.
O aumento do desmatamento no Brasil é seguido pela disparada das queimadas, principalmente nesse período seco do ano, agravados pela diminuição da fiscalização, por falta de vontade política e de recursos públicos.
Agora, quando o presidente fala não ser o meio-ambiente o foco de seu governo, passa-se a percepção de as pessoas poderem desmatar e com respaldo federal.
Por outro lado, o Brasil tem mais de 60% de sua área coberta por florestas e isso tem um custo, seja gastos com órgãos públicos, segurança, áreas administrativas, monitoramento das áreas.
O momento é de apreensão ambiental no mundo, o Brasil deve ressaltar a importância da floresta amazônica no ciclo de chuvas, negociar e pedir o ressarcimento dos custos de sua conservação e recompensa por deixar de dar outro uso a esses espaços, além de ter prioridade nas suas exportações. Paralelamente, o Brasil pode intensificar políticas preventivas e repressivas contra o desmatamento e as queimadas.