O curso de datilografia era ministrado na Rua Álvaro Alvim, sob a orientação da professora Abigail, que se dedicava com esmero a nos ensinar as técnicas do ofício. Nas primeiras aulas, aprendemos a localizar letras, números e sinais de pontuação no teclado, sempre com atenção ao posicionamento correto dos dedos e dos braços. O exercício era repetir os mesmos gestos até que a localização de cada caractere se fixasse na memória muscular, mas foi justamente essa repetição que, com o tempo, se transformou em fluência.
Dali em diante, o aprendizado seguiu por repetição gradual, intercalada por avaliações que mediam nossa velocidade e precisão. Ao final obtive o almejado diploma de Datilografia. Àquela época, eu sabia da importância daquele conhecimento, mas não imaginava a relevância que ele viria a assumir em tantos momentos da minha trajetória pessoal e profissional.
Em meu primeiro emprego, no clube de caça e pesca, pude finalmente aplicar na prática o que havia aprendido, buscando constantemente aperfeiçoar e agilizar minhas habilidades. Cada documento datilografado ali era a prova de que o esforço da sala de aula se convertia em competência real.
No Banco Nacional de Habitação (BNH), alcancei a marca de mais de 500 toques por minuto, o que me permitia elaborar contratos e relatórios com notável eficiência.
Nos concursos públicos, a experiência era mais desafiadora. As provas reuniam dezenas de candidatos datilografando simultaneamente, todos disparando ao sinal de largada, num ruído coletivo de teclas que parecia uma corrida contra o tempo. Tinha a impressão, frequente, de que os concorrentes ao meu redor digitavam mais depressa, mas procurava manter o meu próprio ritmo de datilografar com rapidez e sem erros.
Com o tempo, adquiri minha própria máquina de datilografar, uma Olivetti, que conservo até hoje como uma relíquia carregada de significado. Já não a utilizo, mas os fundamentos aprendidos naquelas aulas permanecem presentes em cada texto ou relatório que elaboro. Basta olhar para o teclado do computador para reconhecer o mesmo desenho de letras decorado décadas atrás.
Hoje, continuo a digitar com rapidez e sem olhar para o teclado, enquanto observo, com frequência, pessoas que procuram visualmente cada caractere, os olhos presos às teclas durante toda a digitação. É curioso pensar que, num mundo dominado por telas sensíveis ao toque e por corretores automáticos, uma habilidade tão simples quanto digitar corretamente ainda faça diferença tangível na produtividade e na confiança de quem a domina.
Reconheço, com o passar dos anos, a importância que aquela formação teve em minha vida, e lamento que algumas pessoas não terem tido acesso a um aprendizado semelhante, o qual precisa ser atualizado para utilização em aparelhos eletrônicos modernos. É desta forma que certos aprendizados básicos, por mais simples que pareçam à primeira vista, transcendem o tempo e continuam a nos servir muito depois de assimilados.
