Às vésperas de mais uma eleição presidencial, o Brasil tem uma classe política que discute tudo, menos o que realmente importa. Os candidatos disputam narrativas e trocam acusações, mas não apresentam um projeto concreto para a segurança pública, para a soberania nacional, para a educação de qualidade, para a tecnologia, para a terceira idade, para a balança comercial. De forma geral, a política brasileira foi sequestrada pela polarização.
A violência urbana consome vidas, paralisa cidades e afasta investimentos, mas não aparece um plano de segurança pública que articule inteligência, prevenção, presença do Estado e reformas institucionais duradouras.
Quanto à soberania, temos uma lição histórica. Na década de 1970, tivemos obstáculos externos, principalmente perpetrados pelos Estados Unidos, para a construção de nossas usinas nucleares. O Brasil firmou acordo nuclear com a Alemanha e, pressionado pelos Estados Unidos, assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, consolidando nossa condição de submissos em todos os sentidos, inclusive na questão atômica. Esse episódio mostra como nos relacionamos de forma ingênua, sem projeto, enquanto os demais países defendem seus interesses com determinação.
Na indústria o Brasil possui um dos maiores depósitos de terras raras do mundo, não tem uma política industrial estruturada para transformar esse ativo em soberania tecnológica.
Na educação, o debate eleitoral gira em torno de programas assistenciais, sem ter uma proposta para preparar as próximas gerações para um mundo radicalmente diferente.
O Brasil envelhece rapidamente e a política não percebeu. O idoso brasileiro existe como problema previdenciário e não é lembrado como sujeito de políticas públicas concretas.
O Brasil tem uma das maiores balanças comerciais do mundo, mas exportamos principalmente commodities e importamos valor agregado. Essa estrutura nos mantém reféns dos preços internacionais das matérias-primas e nos impede de subir na cadeia de valor global. Nenhum candidato apresentou uma política séria, com metas, prazos e instrumentos concretos para mudar esse quadro.
Há um padrão que atravessa toda essa discussão: a política brasileira está aprisionada em categorias ideológicas do século XX e isto impede que ideias novas, pragmáticas e transformadoras cheguem ao centro do debate.
Em outubro de 2026, os eleitores merecem candidatos que falem de soberania energética e tecnológica, de um plano de segurança que não seja apenas retórica de campanha, de uma política industrial que transforme nossas riquezas naturais em prosperidade real, de uma educação que prepare o Brasil para o século XXI, de um cuidado digno para quem construiu este país e hoje envelhece, e de uma política externa que defenda os interesses brasileiros com a mesma firmeza com que as grandes potências defendem os seus.
O Brasil tem tamanho, recursos, inteligência e gente para ser muito mais do que é. O que falta é projeto.
