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Foto: Ricardo Stuckert / PR (https://www.fotospublicas.com/acervo/politica/presidente-da-republica-luiz-inacio-lula-da-silva-durante-a-cerimonia-de-anuncio-de-pacote-de-investimentos-em-belo-horizonte)

O plano Zema para o Brasil: endividar, privatizar e desmontar o Estado

O que aconteceu em Minas Gerais entre 2019 e 2026 não foi incompetência e sim o cumprimento de um roteiro no Estado público e entregar seus ativos e serviços à iniciativa privada. Agora, Romeu Zema quer replicá-lo em escala nacional.

No dia 1º de janeiro de 2019, Romeu Zema tomou posse como governador de Minas Gerais com um discurso de equilíbrio fiscal, austeridade, valorização do servidor público e transparência. Sete anos depois, o estado terminou sua gestão com uma dívida de R$201 bilhões, contra os R$114,7 bilhões que Zema havia herdado. Além disso, os servidores amargaram 48,5% de perda inflacionária, hospitais públicos foram ameaçados de fechamento e estatais foram colocadas à venda.

A diferença fundamental entre administrar o dinheiro público e o dinheiro próprio é a responsabilidade. Uma empresa privada que dobrasse seu endividamento em sete anos estaria insolvente. No setor público, porém, o custo recai sobre a população. Zema administrou os cofres de Minas Gerais sem consequência pessoal, com planos de longo prazo que vão além do seu mandato.

A aparente incompetência esconde uma lógica coerente. Quando um Estado está endividado, seus governantes têm o argumento pronto de não ter  dinheiro para saúde, educação ou segurança. Além disso, apresentam a solução de privatização de empresas e serviços, via concessões e privatizações. É o roteiro que Zema aplicou em Minas e que ele declaradamente pretende levar ao plano federal.

O modelo tem etapas reconhecíveis. Primeiro, o discurso da crise fiscal, real ou amplificada. Segundo, a narrativa de que o Estado “não tem condição” de prestar serviços de qualidade. Terceiro, a abertura para que empresas privadas assumam o que era público, geralmente em condições vantajosas ao setor privado. Quarto, o encolhimento dos programas sociais, com o discurso de “responsabilidade fiscal”.

O roteiro aplicado em Minas Gerais incluiu o  aumento da dívida pública, a tentativa de fechamento de quatro hospitais públicos, pressão pela privatização da Cemig e da Copasa, descumprimento do Piso Salarial Nacional do Magistério, policiais sem reajuste e sem viaturas, ampliação de benefícios fiscais ao setor privado, reajuste do salário de Zema em 300%.

Em âmbito federal, o roteiro ganha escala dramática. Zema discursa a favor da privatização de todas as estatais, defende a revisão dos benefícios fiscais (colocando em riscos programas essenciais para a população, como bolsa família, farmácia popular, etc.).

A lógica é a mesma de Minas: elevar o endividamento, ou deixar de pagar a dívida, para justificar que “não há recursos”. Com isso, passa a cortar programas sociais apresentando os cortes como inevitáveis. Também vende ativos públicos alegando que o Estado não tem capacidade de geri-los, quando, na prática, o Estado foi deliberadamente enfraquecido para que chegasse a essa condição.

Zema é um empresário bem-sucedido. Suas empresas privadas são geridas com rigor. Ele sabe, melhor do que ninguém, o que significa ter dívidas em valores crescentes e não pagáveis, pois numa empresa privada esse quadro significa a falência.

A diferença é que, numa empresa, Zema responde com o próprio patrimônio. No governo, quem paga é o cidadão.

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