Nos últimos anos, muito se tem discutido sobre os impactos do uso excessivo de dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes. No entanto, a exclusão digital enfrentada por idosos e populações menos favorecidas é uma questão preocupante. Em um mundo cada vez mais digitalizado, a falta de acesso ou conhecimento sobre tecnologia pode levar à marginalização e ao isolamento social.
A pandemia de Covid-19 acelerou a digitalização da sociedade, obrigando muitas pessoas a se adaptarem rapidamente ao uso da internet para diversas atividades. Apesar do aumento do número de usuários de recursos digitais, muitas pessoas ainda encontram dificuldades para utilizar a tecnologia de forma eficiente e segura.
A tecnologia transformou profundamente a maneira como as pessoas se divertem, compram e se relacionam. O entretenimento foi revolucionado pelo streaming de vídeos e músicas, pelos jogos online e pelas redes sociais, que conectam milhões de pessoas. As compras se tornaram mais acessíveis e convenientes com e-commerces e marketplaces, permitindo a aquisição de produtos e serviços sem sair de casa. No campo das relações interpessoais, aplicativos de mensagens e videoconferências encurtaram distâncias e tornaram possível a comunicação instantânea. A mobilidade urbana também passou por transformações, com novos recursos de pagamento para estacionamento e pedágios, bem como o uso de aplicativos para chamar transporte e realizar compras.
Nesse contexto, surge o conceito de órfão digital, referindo-se às pessoas que nasceram antes da era digital e, com o avanço da tecnologia, enfrentam dificuldades para se adaptar.
Sem conhecimento digital, muitas pessoas ficam privadas dos avanços tecnológicos e enfrentam desafios diários em tarefas simples, como efetuar pagamentos, acessar serviços públicos e utilizar meios de transporte baseados em aplicativos. Essa exclusão também impacta o mercado de trabalho, onde profissões tradicionais estão sendo substituídas por funções que exigem habilidades tecnológicas. No entanto, muitos brasileiros ainda não têm acesso à educação digital necessária para preencher essas vagas, agravando a desigualdade social e econômica.
A educação formal desempenha um papel fundamental na alfabetização digital de crianças e adolescentes. No entanto, para os idosos e populações vulneráveis, as oportunidades de aprendizado são escassas. O acesso limitado a programas de capacitação digital impede que essas pessoas desenvolvam habilidades necessárias para se adaptar à nova realidade digital.
A exclusão digital amplifica desigualdades sociais e econômicas, restringindo oportunidades e limitando o exercício da cidadania. Para combater esse problema, é essencial que governos, instituições educacionais e empresas invistam em políticas intensas de educação digital. Somente assim poderemos garantir que todos tenham condições de participar plenamente da sociedade digital e usufruir dos benefícios que a tecnologia pode oferecer.