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Foto: Delfina Iacub (https://unsplash.com/pt-br/fotografias/colher-de-aco-inoxidavel-ao-lado-da-caneca-de-ceramica-branca-8-K2xw-HjvE)

Comendo doce ou farinha?

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Era uma tarde qualquer, e na televisão passava um desenho animado. De repente, fui tomado por uma vontade irresistível de comer algo doce. Fui até a cozinha, revirei os armários, e nada de doce. Nem um biscoito, nem um chocolate sequer. Como pode ser que não tenha nada de doce à disposição?

O curioso é que o açúcar estava ali, me encarando. Em grande quantidade, aliás. Mas comê-lo puro? Não parecia certo. E por que não? Se o desejo era por algo doce, o açúcar por si só não deveria resolver o problema? Mas então me questionei: será que é só o doce que importa, ou o prazer de consumir algo que combine textura e sabor?

Depois de muito revirar as prateleiras, decidi improvisar. Misturei um pouco de farinha com o açúcar. Por que a farinha? Talvez porque parecia ser o único ingrediente disponível, ou talvez porque, inconscientemente, eu buscava algo que equilibrasse a doçura pura do açúcar. O resultado? Um quitute improvisado que, embora não fosse o lanche dos meus sonhos, cumpriu seu papel. Mas será que era fome real, ou apenas um desejo emocional? A sensação de “saciar o estômago” é sempre um bom indicador de saciedade verdadeira?

Depois desse pequeno momento culinário, pensei: por que não estudar um pouco? Afinal, ainda havia algumas lições que não tinha compreendido bem na sala de aula. Mas será que o desejo por algo doce realmente atrapalhava o meu foco? Será que o açúcar estava preenchendo algum tipo de vazio que não era só alimentar? E, quem sabe, com a mente mais tranquila — ou ao menos um pouco distraída do desejo por doces — talvez eu finalmente conseguisse entender aquilo que antes parecia tão complicado.

Curiosamente, descobri depois que outras pessoas, assim como eu, também tinham essa mania de misturar açúcar com farinha na infância. Alguns amigos relataram que misturavam o açúcar com Nescau. Mas será que isso era realmente uma combinação melhor? Sempre achei que deixava a mistura doce demais, e talvez eu estivesse, sem saber, em busca de um equilíbrio.

Agora, adulto, percebo que o desejo por algo doce não desapareceu, só mudou de forma. Será que é normal essa persistência? Logo após o almoço ou no meio da tarde, ainda me pego buscando um doce. Mas o que mudou foi a consciência: o desejo agora é equilibrado pela preocupação com o controle de peso. Será que esse desejo contínuo por açúcar tem algo a ver com hábitos alimentares adquiridos na infância, ou é algo mais profundo, ligado ao conforto emocional?

De qualquer forma, o que antes era uma improvisação inocente de uma criança agora é uma tentação controlada por medo de consequências maiores, como a obesidade. Assim, entre memórias doces de infância e a disciplina necessária na vida adulta, fica a reflexão: até que ponto nossos desejos alimentares são impulsos primários ou construções psicológicas e sociais? Afinal, entre o doce e a farinha, a vida segue nesse curioso equilíbrio entre ceder e resistir às tentações diárias.

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