A recente crise sobre o resultado eleitoral na Venezuela é apenas mais um capítulo da crise no país, marcado por traços característicos de ditaduras que se perpetuam no poder.
Nos últimos 25 anos, a Venezuela passou por profundas transformações, originadas com a ascensão de Hugo Chávez ao poder em 1999 e com promessas de redistribuir a riqueza do país e dar voz às classes menos favorecidas. No entanto, seu legado é marcado por controvérsias, especialmente no que diz respeito ao uso dos recursos petrolíferos, apoio das Forças Armadas e repressão da oposição.
Durante a primeira década do século XXI, a Venezuela experimentou uma bonança econômica graças aos altos preços do petróleo. Chávez utilizou os ganhos extraordinários para financiar vastos programas sociais, que incluíam desde a construção de moradias populares até a distribuição de alimentos e serviços de saúde gratuitos. Essas políticas sociais ganharam o apoio de milhões de venezuelanos, consolidando a base de sustentação do chavismo. No entanto, a dependência quase exclusiva do petróleo tornou a economia vulnerável à queda dos preços do petróleo na década de 2010 e a economia entrou em colapso.
Outro pilar do governo é o apoio das Forças Armadas. Chávez, um ex-militar, estabeleceu uma relação simbiótica com os militares, oferecendo-lhes cargos de poder e controle sobre setores-chave da economia, como a indústria petrolífera. Maduro seguiu a mesma estratégia.
Para se perpetuar no poder, adotou uma série de medidas para sufocar a oposição, como prisões, exílio, fechamento de canais de televisão e de rádio e cerceamento da imprensa livre.
Além disso, o Congresso, o Judiciário e o Ministério Público foram progressivamente dominados por figuras alinhadas ao governo. Reformas constitucionais e a nomeação de juízes pró-governo minaram a independência do Judiciário.
A crise econômica na Venezuela levou a uma escassez crônica de produtos básicos, como alimentos e medicamentos. Supermercados com prateleiras vazias se tornaram uma imagem comum, e a inflação disparou para níveis astronômicos, corroendo o poder de compra dos venezuelanos. A miséria crescente e a falta de oportunidades levaram milhões de venezuelanos a abandonar o país, buscando refúgio em nações vizinhas como Colômbia, Brasil e Peru.
A crise humanitária na Venezuela gerou um êxodo em massa, com mais de 5 milhões de venezuelanos deixando o país desde 2015, segundo dados da ONU. Essas pessoas buscam não apenas melhores condições de vida, mas também fugir da repressão política e da violência. A fuga em massa colocou pressão sobre os sistemas de acolhimento dos países vizinhos, criando desafios humanitários regionais.
O chavismo e o madurismo deixam uma marca indelével e a Venezuela, outrora uma das nações mais prósperas da América Latina, enfrenta hoje desafios imensos para reconstruir sua economia, restaurar a democracia e atender às necessidades de seu povo.